Desconstruindo o amor

14 de junho de 2017


O amor não tem roteiro, ele pode nascer das coisas mais imprevisíveis e germinar nos lugares mais insólitos, tipo planta que nasce no meio do asfalto.
Amor não tem fórmula, o amor é! Ele é aquilo que te faz ter certezas, que te mostra novos caminhos, que fica com você quando todo mundo vai embora. Quem ama sempre fica, quem diz que ama e vai embora, nunca amou. Quem ama abdica. Quem ama esta disposto. Quem ama quer estar sempre perto. Quem ama encontra caminho e da um jeito. Quem ama tem coragem de dizer o que sente. O amor é escolha, não sacrifício. Foi Jean Paul Sartre que disse: ‘’ Somos completamente livres para escolher nosso próprio rumo’’. Por isso, quem fica ama!
Esqueça tudo que te ensinaram sobre, '' ame alguém que te trate assim, que te de isso, ou que faça aquilo''. Amores reais nem sempre vem com pacote completo, aliás, ninguém vem. Precisamos cortar o cordão umbilical com toda essa historia de alguém que venha para suprir toda a nossa carência de afeto. Não existe! Nem a gente mesmo se supre 100%.  Chega de relações com padrões pré-estabelecidos, amar, é se apresentar sem embalagens.
Quantos ‘’bons amores’’ passam batidos porque estamos esperando a mega sena acumulada do amor. Aquele amor que tira o ar, que arrebata, a pessoa que nunca vai nos decepcionar, a felicidade enlatada Hollywoodiana. Nos agarramos a esse tipo de amor como uma espécie de Papai Noel que aguardamos de janeiro a dezembro e...que nunca chega, e a gente se frustra e vai pra pista em busca do próximo e o próximo e o próximo. Ai chega uma hora em que o amor fica cansado, cai fora, pede as contas, e deixa você com sua incompletude auto-suficiente e as verdades que ninguém te conta: Que o amor de verdade não é tão perfeito quando nos filmes de Hollywood. Existe a crise, existe a rotina e existem também os dias nublados. Não tem lua de mel todo dia. Mas tem gente que fica, que se reinventa, que luta e que faz valer à pena. Isso sim tem nome de amor. Sentimento que precisa ser trabalhado dia sim e outro também.

Claro, a  parte boa é maravilhosa, mas o amor (mesmo), é de verdade todo o resto que ninguém nos conta. Acredito mesmo que o amor vem para os distraídos. Ele está muitas vezes ali, na paisagem infértil de pavimento impermeável, onde parecia não haver nenhuma possibilidade de vida.
Temos muito o que aprender com as plantinhas que nascem no asfalto e paredes e telhados de casas, porque assim como elas, essa é a beleza do amor, ser determinado e persistente, desejando se manter vivo, sobrevivendo até mesmo nos lugares aparentemente impossíveis, superando a dureza e a pesada bagagem das nossas expectativas. Vamos deixar o amor livre desta obrigação, não existem amores perfeitos , mas amores possíveis, de janeiro a dezembro.





As pessoas que saem da nossa vida

9 de março de 2017

As coisas acontecem na vida, a gente muda, os outros mudam. Nossos amigos se casam, outros vão morar em outra cidade, outros estão cheios de trabalho e ocupados demais. A gente evolui, muda de opinião, de ideia, o gosto para roupas, frequenta outros lugares com outras pessoas. É inevitável, o tempo vai mudar a gente, mas ele, nem de longe deveria mudar a nossa essência, quem somos de verdade. 
É difícil perceber que aquela(e) amiga (o), antes tão ligada(o) na gente, começa a partir devagar. Pouco a pouco a amizade já não é mais a mesma. Parece que a vida dela(e) já não faz mais parte da nossa, nossos assuntos e dilemas são agora tão diferentes. A gente tenta de tudo, marca aquele café despretensioso no meio da semana, marca um cine com o filme novo que está em cartaz, marca de comprar batom, ou simplesmente diz que só quer vê-la (o), mas ela(e) está ocupada(o) demais vivendo a própria vida, e no fundo, bem no fundo, a gente sabe que as coisas não são mais como antes. E você não sabe o que é pior, chamar para uma conversa correndo o risco de abrir uma fenda ainda maior, ou dar um tempo, parar de procurar e esperar indefinidamente até a amizade murchar.
Pra mim, todo fim de amizade sem um motivo concreto, é falta de trato. Não ligamos, não procuramos, não regamos e então as coisas definham.  Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição, entrega e amor. Amor desses que....’’vem cá, senta aqui’’... e falar a verdade mesmo que doa (e saber ouvir também). Amor, pra  entrar numa fria que não é sua só pra não deixar ela (e) ir sozinha (o). Amor, pra não invejar as conquistas do outro e pra saber a hora de sair de cena e dar espaço, sim, a amizade é um amor que também precisa de silêncios, vez por outra. Tem que cuidar, abrir espaço no coração e na agenda. Não da pra ser amigo sem saber o que acontece do outro lado, sem participar dos acontecimentos importantes. ­Ainda assim, faz parte de amar deixar livre para escolher estar ou ir, e algumas vezes não há o que você possa fazer. Às vezes acontece de sermos tão mesquinhos a ponto de não valorizarmos o que esta sendo construido e às vezes, acontece de fazerem o mesmo com a gente. ACONTECE! 
Quer testar uma amizade? Dê-lhe TEMPO. Porque ou ele escangalha tudo ou melhora.

O pior é que a gente segue, fingindo que não é com a gente, damos unfollow (na nossa cabeça), colocamos de castigo num canto imaginário qualquer, do coração e do celular, quando na verdade, todas as nossas desavenças e afastamentos deveriam ser apenas motivo de fortalecimento entre nós.  Você só queria chegar um dia e encontrar aquela sua velha amiga que sempre viveu ali, morando no mesmo lugar (nela). Com o mesmo brilho nos olhos ao te encontrar. É triste ter que aceitar que certas pessoas viverão no nosso coração, mas não na nossa vida, e eu não acho que elas se vão e que outras melhores virão. Cada pessoa é única e insubstituível no nosso coração, por isso a nossa mania de mantemos relações respirando por aparelhos, tentamos, forçamos a porta inutilmente.

Lí num texto do
Fred Elboni a frase : O tempo não volta, ela não volta, a gente não volta. E mesmo se a gente voltar, a gente não volta…’’ . Ele falava de amor, mas acho que é tipo isso em alguns casos. Algumas amizades simplesmente não voltam,mesmo que a gente tente, regue e faça força, ela não volta e se voltar, não vem inteira, nem a gente vem. É preciso estar disposto. Pegar aquela velha caixa, olhar aquelas fotos de mil novecentos e guaraná de rolha de vocês juntas (os) e lembrar quanta coisa boa e quantos perrengues juntas (os) vocês viveram, é tudo muito caro pra jogar em qualquer caçamba de esquina. Não da para olhar pra trás sem maiores apertos no peito. E é por isso que no fundo, a gente sempre guarda aquele fio de esperança, e torce para que o outro olhe ao redor com mais cuidado e perceba  que as coisas não desmoronaram por completo, tá tudo no mesmo lugar ainda, basta que ela(e) venha e encontre o seu lugar de novo, na mesma e velha poltrona do nosso coração.


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[ Amores da minha vida,
Eu sei que ando meio sumida daqui, não tenho conseguido postar com tanta frequência devido a, como alguns de vocês já sabem, estar trabalhando na produção do meu Livro. Ele já está no forno e terão vários textos novos e inéditos pra vocês, então vai valer à pena. Mas a gente sempre  pode ficar mais pertinho nas minhas redes sociais: INSTAGRAM: @dri_andrade_  e no facebook: Dri Andrade Carollo, e tem a fan page também, então me segue lá pra não perder as novidades! Obrigada pelo apoio e carinho de sempre.]

Beijos, beijos




O amor vê além

15 de novembro de 2016

Você leva uma vida comum, até que você conhece alguém, que chega devagar, cheio de peculiaridades e aos poucos vem trazendo o amor pra dentro da sua vida, e ela então, passa por um processo de conjugação diferente, a vida acompanhada ganha um significado especial.

De fato não é fácil viver uma vida a dois. Amar é uma luta diária para que tudo funcione bem, para que a gente consiga ajustar os temperamentos e expectativas diferentes, para que a paixão permaneça cúmplice, para que os sonhos ganhem força, para que a amizade se desenvolva. O ‘’eu’’ agora passa a ser ‘’nós’’, o amor virando parte da rotina como uma extensão de você para o lado de fora. ‘’Nós’’, agora estamos em todas. Pra toda obra. Pra tudo que vier. Embora os momentos de singularidade ainda se façam necessários, é no ‘’nós’’ que nos sentimos em casa.  O que antes era pesado passa a ser mais leve, o inalcançável se torna perto porque você tem alguém que te impulsiona na direção dos seus objetivos, aquilo que deveria te machucar ao extremo, se torna menos doloroso quando você deita a cabeça naquele colo para receber o melhor aconchego e conselho do mundo. E então você começa a perceber que nada mais do lado de fora pode te atingir tanto assim.
A gente tem sempre a tendência de procurar por amores prontos, pré-fabricados, perfeitos, mas o amor  de verdade, pede menos exigência e mais cuidado. A cada dia podemos aprender algo novo, o que nos faz valorizar coisas que só nós enxergamos, mesmo que pareçam tão bobas e pequenas. Como quando ele ri das piadas sem graça que você nunca sabe contar, o abraço roubado no meio do corredor, como escovar os dentes juntos rindo de alguma coisa boba que aconteceu com um dos dois durante o dia, o bilhetinho na porta da geladeira.

É por isso que não podemos entender o amor olhando com pressa. Ele pede delicadeza, atenção, paciência, saudades e alguns silêncios. Sim. O amor está nas pequenezas do dia a dia. É como uma bateria que precisa ser recarregada diariamente, pois, é na rotina que ele fortalece suas raízes e embora seja um caminho árduo o dessa convivência, ele é simples e puro em sua essência. Quanto tempo a gente perde nessa ideia de querer mudar o outro pra que ele se ajuste ao nosso jeito, quando na verdade, são nas diferenças que a gente se completa. É, amar nos tira da zona de conforto, muda nosso ângulo de ver e nos faz enxergar coisas através dos olhos de outra pessoa, o amor nos engrandece, nos confronta todos os dias sobre estarmos realmente certos de abraçar ele com todo o seu pacote. Nisso tudo existe mais beleza do que a gente realmente pode ver. O nosso mundo não precisa ser igual, a gente só precisa somar e contribuir para que o mundo do outro seja uma casa feliz e habitável.

No final das contas amar é uma decisão, a junção de duas cabeças diferentes que decidiram conciliar seus mundos, seus sonhos, ideologias, medos, manhãs de sol, manhãs de chuva e ainda assim...viver cada dia, dando uma chance para as diferenças, para os dias quase sempre todos iguais, sem regras nem manual, apenas a vontade de fazer dar certo.




LIBERDADE PRA SEMPRE

24 de outubro de 2016

Por alguma razão que eu não sei explicar, algumas pessoas transformam as suas relações em um tipo de auto boicote. Sofrem, sentem-se culpadas por tudo que dá errado e simplesmente não conseguem seguir o caminho sem levar uma trouxa pesada nas costas, trouxa essa, que muitas vezes pertence ao ''outro'' e não a elas. Não. O mundo não é cor de rosa, doce, e a maioria das pessoas não te ama pelos seus belos olhos. Infelizmente, em algum momento, a gente vai amar e não vai ser amado, a gente vai admirar e vai ser desprezado, vai confiar e ser extremamente decepcionado. A gente vai ser amigo, parceiro e vai receber ingratidão de volta, vai ser leal e ser sacaneado. Vai emprestar dinheiro e levar calote, vai dedicar tempo em ajudar alguém a se reerguer e depois esse alguém vai embora sem olhar pra trás pra dar nem um tchau. Vai ter que dar o nosso melhor todo santo dia pra receber o mesmo salário no final do mês. A gente vai andar pela rua se achando linda, sorridente e confiante naquela roupa nova, batom vermelho e naquele salto alto para ocasiões especiais e nem vai perceber aquele pedaço de feijão bem no canto do dente.

A gente vai tudo isso e... às vezes a antipatia vai ser gratuita sim! Mas a gente também vai ser amado e admirado por um monte de gente legal, vai ter sorriso gratuito, vai ter aquele amigo que nunca sai do nosso lado e não enjoa da nossa cara, vai achar aquela grana no bolso da calça bem no dia em que está mais duro e ainda seremos acolhidos quando precisarmos de uma mão…e é isso! Estamos no mundo pra isso! Pra dar continuidade às linhas que a vida vai escrevendo, pra perdoar a quem não sabe pedir perdão, pra cair e aprender a levantar, pra ajudar mesmo sem receber recompensa, pra rir de nós mesmos, dos nossos absurdos, mancadas e tolices em momentos de crise.  A final, é como dizem por ai...'' o que o outro fala ao nosso respeito diz muito mais sobre ele do que sobre nós''. Se a gente ama sem ser amado, azar de quem não soube nos amar e a gente segue, porque cada um só pode dar aquilo que tem.  Se você dá e o outro só suga, o problema com certeza não está com você.

A verdade é que para algumas pessoas é preciso estar num estado de espírito muito evoluído para entender tudo isso, tem gente que simplesmente não sabe seguir sem levar a reboque a bagagem que o outro deixou pra trás e acaba desistindo de viver,  de acreditar nos outros,  de amar,  por pura impaciência de enxergar todos os lados da coisa.  Por medo de parar e olhar pra dentro e ver que tudo isso faz parte do pacote chamado ''ser humano'' e todos nós seguimos dia a dia tendo que fazer escolhas sobre o que carregar e o que deixar pra lá,  sobre ser melhor ou empurrar a gente mesmo com a barriga porque é ''mais fácil'' e sangra menos.

Se não estivermos dispostos a ganhar e a perder, a abraçar as chances de adquirir sabedoria, nos manteremos expostos às intempéries dessa vida, como uma ferida aberta que a qualquer momento lateja, tomando a grandes goles as coisas boas e ruins que ela nos traz e vivendo as consequências disso, sem saber que a qualquer momento temos o poder de mudar a forma como deixamos que o outro nos atinja, ou melhor, temos o poder de decidir o que fazer com tudo aquilo que ele troca com a gente,  e entenderemos finalmente que essa é a melhor forma de liberdade que só nós, podemos nos proporcionar.






SOBRE FELICIDADE E A GRAMA MAIS VERDE

22 de agosto de 2016


Quando eu era criança vivia querendo ser grande. Me imaginava com 30, formada, trabalhando e realizada em algo que eu amava, amando alguém, saudável e ...FELIZ.
Cresci. Já passei dos 30 (quase 32), conquistei tudo isso e ainda continuo buscando tantas outras coisas, porque a gente é assim, quando finalmente encontramos o que procurávamos, nos sentimos vazios outra vez e damos logo um jeito de arrumar um plano novo pra transformar em sonho.
Tudo isso é bom, mas não é sinônimo de felicidade, até porque, a tal felicidade que todos tanto buscam é relativa, pessoal e intransferível.

A gente tem mania de olhar pelo lado de fora a vida das pessoas, uma foto ‘’feliz’’ postada na rede social, pegar tudo aquilo que a gente vê diariamente, compilar e dizer: “ Nossa, que vida feliz essa pessoa tem! ’’.  Mas na verdade a gente não sabe nada do que se passa lá dentro. Não sabe as guerras que ela luta, não sabe se ela chora no chuveiro, (com certeza que chora, todos nós travamos nossas guerras, a diferença entre a nossa carcaça e a do outro é apenas a maneira como escolhemos lidar).
Diariamente
somos alvejados por uma fórmula deturpada de felicidade que tentam nos vender e não sabemos o quanto a felicidade é mais simples do que pensamos e que tem muito mais a ver 
com a forma como ‘’enxergamos’’ as coisas. As vezes a gente só precisa sair de onde está, entrar numa dimensão diferente, experimentar coisas novas para ver o mundo com outros olhos, com a fé que há dentro de nós, que enche o peito de coragem e que nos move a olhar a diante e ser grato independente se o céu está nublado ou não, se a conta bancária está recheada ou não, se temos o que queremos ou apenas o que precisamos. Agradecer engrandece a gente e engrandece o momento! Eu tô falando da grandiosidade das pequenas coisas, de em meio aos problemas ter um coração tranquilo e a alma equilibrada, de enxergar a vida como uma casa que precisa ser constantemente renovada, nos livramos das tralhas, tiramos a poeira daquelas áreas intocadas, mudamos alguns móveis de lugar e recuperamos nossa essência em cada gaveta que abrimos e arrumamos. 

Felicidade é uma fração de segundo, uma decisão, é viver o tempo a nosso favor. Olhar para o presente e para as coisas boas que acontecem nele. Por isso, a grama mais verde não é daquele que parece mais ‘’feliz o tempo todo’’. É aquela cuidada com suor, regada, sofrida, cultivada nos dissabores também. A grama mais verde é de quem aprende mais, de quem enxerga além da capa, de quem não acha que é menos feliz porque vive muitas guerras, (e essas são as que travamos com a gente mesmo na maioria das vezes), de quem sabe que elas existem não para nos fazer infelizes, mas para nos tornar mais humanos. Que as lutas existem para todos e que não precisamos ser perfeitos, não precisamos estar sempre certos, não precisamos ter um monte de ‘’coisas’’ para nos sentir satisfeitos. Que são os dias nublados que contrastam com os alegres. Que sabem que a gratidão de estar vivo, de fazer um pouco do que a gente gosta e de ter por perto quem se ama já basta.

Que cada um de nós encontre
a concepção de vida que lhe permita seu ideal de felicidade. Que ela possa ser saboreada mesmo que em conta gotas, não numa vida de comercial de margarina, mas com a nossa grama (REAL), verdinha, regada, suada, sofrida e valorizada, pra crescer forte, bonita e quem sabe servir de inspiração para outros quintais.







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