EFEITO BORBOLETA

10 de julho de 2014

Chega uma hora em que a gente quer mudar.
Daí vem aquela vontade que não faz concessões, não respeita convenções, que pula peito a fora quase nos expulsando da própria vida, como se fôssemos estrangeiros de nós mesmos. Sem sujeito, endereço nem predicado. Essa metamorfose que acontece de dentro pra fora e de repente você se vê ali, sentada sentindo o cheiro do café, ouvindo a música no rádio. Sentindo fome de vida.

Porque você não se ajusta bem com nada mais ou menos.
É um inconformismo. Um desatino permissivo. E não precisa ser quando alguma coisa vai mal. Pode ser quando a geladeira esta cheia e a cama arrumada. Quando as frutas estão novas, doces e amareladas. É só um efeito do tempo, simplesmente te implorando coragem. É Só a vida te agarrando pelo braço e te dizendo: ''Vai viver!''. É só porque você não suporta o marasmo e essa palavra quase lasciva chamada ''Possibilidade'' que morde e assopra te faz como ninguém, brilhar os olhos.
Porque você é dessas que desafia a correnteza, que arrisca as garantias, que sobe no palco e grita, que compra passagem só de ida e que da conta de tudo no final…

Porque a gente quer saber até onde pode chegar. Um onde que tem mais a ver com as realizações do que com o ponto de chegada. A gente quer uma vida cheia de certezas, com uma fotografia impecável,a trilha sonora perfeita, num desses efeitos borboleta em que tudo sai exatamente como o esperado. Porque não sabemos que o encontro com a gente é quando tudo desacelera. Quando damos a pausa para ouvir a música interna. É quando estamos a caminho de nós mesmos. E ser feliz exige muito da gente. Das nossas escolhas, expectativas e demora pra fazer sentido. Mas é extremamente doce quando acontece.

Sempre há tempo pra virar a vida do avesso. Quebrar os protocolos. Começar a ditar as regras. Sem medo de ser feliz. Sem medo de deixar aquele emprego que não realiza, aquele namorado que não encanta nem desencana e saber que há satisfação infinita em prazeres simples como ficar em casa em plena sexta a noite, arrumando suas gavetas e devorando aquele livro novo ou fazer uma viagem sozinha, começar a trabalhar em casa. Saber que dá pra ser feliz aos poucos, sem motivo aparente, sem momentos grandiosos nem circunstâncias favoráveis. Dá pra começar, terminar e parar com essa mania de ficar deixando pontas soltas. Deixando tudo pra semana que vem. Melhor recompensa que o alívio de ter tentado, não tem.
Então, por que ao invés de passarmos o tempo todo nos boicotando não fazemos as pazes conosco? Tomamos um café, nos damos um abraço e seguimos em frente...


Auto Post Signature